Uma das mais conceituadas universidades do Brasil, a Unicamp foi instaurada em 1966. Ao contrário de universidades mais antigas, como a UFRJ, que cresceram pela junção de faculdades já existentes, a Unicamp teve suas instalações cuidadosamente planejadas. O campus é praticamente circular - ou melhor, tem uma forma meio pêra, representada no logo - com o Ciclo Básico no centro do círculo. O anel seguinte tem o restaurante universitário (vulgo bandejão), a biblioteca e o ginásio, além dos institutos de matérias básicas: artes, letras, filosofia e ciências humanas, matemática, física, química e biologia. As ruas radiais têm nomes como “Elis Regina” e “Albert Einstein”, dependendo do Instituto que ladeiam. Nos círculos externos, as faculdades mais “aplicadas”: engenharias, computação, pedagogia, educação física, ciências médicas lá longe, perto do hospital.
Tudo isso foi projetado com um sentido prático em mente, mas claro que em se tratando de estudantes universitários “sentido prático” toma um novo significado… Como se formam os casaizinhos que vão andar de mãos dadas no campus? A localização das diferentes faculdades e institutos formam bolsões populacionais de gênero e certas trocas viram lugar comum. Historicamente, físicos e pedagogas namoram na Unicamp, para desespero e despeito das poucas físicas. Isso acontece não só porque os alunos de física em geral cursam licenciatura, mas também porque a pedagogia é “logo ali”, atrás do Instituto de Física. As meninas da alimentos e os meninos da elétrica, as meninas da enfermagem e os meninos da matemática (estes não só paqueravam como organizavam as lendárias festas Novalgina no teatro de arena), os meninos da filosofia e os meninos das letras, as meninas da história e as meninas das artes…
O amor é redondinho, mas tudo segue uma lógica!
Maffalda tem contas a acertar com pedagogas até hoje…
Leia Jane Austen e voce terá uma idéia de como era a paquera da Inglaterra de sua época. Olhares, visitas, bailes, cartas, livros de poesia lidos em voz alta, recados, piqueniques e alguns diálogos cheios de sentidos e intenções eram tudo com que jovens amantes contavam para determinar compatibilidade e caminhar rumo a um matrimônio que tinha que durar ‘até que a morte os separe’.
Houve variações incrementais nesse processo até alguns anos atrás. Pense na geração de nossos pais: rapaz e moça se conheciam e tratavam de procurar semelhanças: quem conhecemos em comum? de quais músicas/filmes/livros gostamos?
É claro que a internet veio aumentar a taxa de transferência de informações. As amizades em comum e apresentações virtuais se dão por redes de relacionamentos. Aí também se encontram as afinidades, assim como nos blogs, fotologs, last.fm e afins. E os rápidos diálogos dão lugar a longos papos no gtalk. Isso, claro, sem contar o Google, grande amigo das marias nerdeiras. Basta um hit com o nome do rapaz em um fórum de astronomia para Aldebaran aparecer no próximo diálogo.
No fim das contas, não há largura de banda no mundo que possa carregar olhares ou toques. Mas a satisfação de levar uma conversa inteligente com alguém que tem muito a ver com você - seja ao vivo numa mesa de bar, sozinhos ao pé do ouvido ou via instant messenger em pleno meio-dia da terça de trabalho - não tem preço!
Dar fim em um relacionamento pela wikipedia é o cúmulo da sacanagem nerd, não? Mas foi isso que o Jimmy Wales, fundador da enciclopédia livre fez.
O poderoso lá namorava Rachel Marsden, que é comentarista de uma TV conservadora, e ex-funcionária da Fox News. Sabe-se lá por qual motivo, Jimmy terminou o namoro com Rachel através de um comunicado publicado na wikipedia.
P* da vida (nada mais justo), a moça tomou uma atitude nerd e vingativa, e anunciou no eBay a venda de algumas peças de roupa que seu ex havia deixado em sua casa. “Foram lavadas, duas vezes, com sabão em pó extra-forte”, ainda acrescenta ela na oferta.
Olha a cara do sacana aí!

A dica foi do Bluelus.
Compreensão deve ser a grande virtude de uma menina que namora nerds. Como qualquer mulher, uma maria nerdeira espera que o seu homem sempre largue o que estiver fazendo para satisfazê-la. Natural! No entanto, os desejos mais lascivos do típico nerd disputam seu pouco tempo livre com suas paixões. Se ele estiver a ponto de encerrar uma fase do jogo ou concluir aquele script, não desperdice aquela lingerie nova. Se não dividir o mesmo teto, nem apareça por lá! Use o tempo livre para você mesma sem culpa!
Por outro lado, não precisa ter sangue de barata. Na sua cama, você manda! Nenhum gadget wi-fi é permitido na cama nem para ver o capítulo de Lost agarradinho. Talvez isso mude com a chegada dos vibradores de estimulação remota ao mercado nacional, mas isso é apenas especulação.
Saiba separar o seu território da paixão do seu namorado, mas evite a todo custo concorrer com ele. Não é uma possibilidade distante relacionamentos entre nerds e não-nerds acabarem por conflito de interesses.
Se o amor for grande e você quiser investir mesmo na relação, tente aprender tudo sobre as coisas que seu namorado gosta. Faça perguntas, demonstre interesse. Não faça cara feia nem se ache a mais ignorante de todas se não entender de primeira a lógica do RPG ou se não conseguir usar Linux. Use estes momentos de fragilidade ao seu favor. Os rituais pagãos de instalação de uma distro podem render uma tarde inteira de amor intenso e digitação confusa.
Boa sorte!

Não pode vencê-los? Junte-se a eles!