Assisti na sexta-feira passada, durante o horário nobre, uma nova propaganda do TSE sobre as próximas eleições.
Como geek, maria-nerdeira e apaixonada por astronomia, não poderia deixar de prestar atenção numa propaganda que mostra um nerd fazendo um tipo de observação astronômica.
Para quem não viu, está aqui no YouTube com o nome de Halley.
Bom, eu não vou chamar aquele objeto que cruza o céu de cometa porque o objeto em questão desafia até mesmo o conceito atual de cometa. Por isso, permitam-me chamar (teorias de conspirações à parte) de OVNI.
Ri e chorei ao ver a propaganda.
Ri por ter me divertido com a mensagem implícita nas imagens criadas pela W/Brasil (sim! W/Brasil! A famosa agência de propaganda de Washington Olivetto, que tem figurado em conversas por ter feito uma campanha cheias de erros de português para o TSE).
Chorei por nunca ter visto erros tão grosseiros de astronomia e observação juntos.
Erros grosseiros, sim! Já que:
1. Cometa não cruza os céus na velocidade demonstrada;
Qualquer objeto com tal velocidade pode ser algo parecido com um meteoro queimando na atmosfera terrestre. Para quem não sabe, cometas levam dias para serem observados e permanecem em uma pequena área do céu até não mais terem brilho aparente que nos permita visualização do mesmo.
2. Se este OVNI for um meteoro, não seria observado jamais com uma luneta ou telescópio. Novamente para quem não sabe, meteoros (vulgo estrelas cadentes) são observados a olho nu, seja individualmente, seja em chuva de meteoros;
3. Um observador com um mínimo de experiência sabe que não se pode deixar qualquer fonte de luz artificial (ainda mais amarela e/ou branca) próximo ao local de observação, pois atrapalharia a visualização de qualquer objeto celeste. Mais uma vez para quem não sabe, estas cores impedem nossa sensibilidade momentânea de enxergar objetos mais escuros.
Por fim, lamento que o nome de tão consagrado astrônomo, Edmond Halley, e do cometa que levou seu nome tenham gerado tantos erros.
Também lamento que o cometa, em sua última passagem pelo sistema solar, tenha deixado a população brasileira tão frustrada por não ter sido de fácil observação.
Eu faço parte dos frustrados da década de 80 e espero estar consciente e viva em sua volta em 2061. Para isso, a astronomia, a medicina e a poluição luminosa das cidades vão ter de melhorar muito.

